Reunir os amigos. Pegar uma pelota velha. Jogar na rua, na praça, na garagem do prédio.
Golzinho de praia, Chinelo ("não vale gol no alto"), Latinha, garrafa... qualquer coisa é gol, até o portão da mesma garagem.
FIFA Street.
A primeira análise que faço para este blog é o jogo mais recente que apreciei e ainda estou apreciando. FIFA Street (que não é 4, pois a EA disse estar reconstruindo do zero) pegou aquela sensação de chamar os amigos para brincar e jogar qualquer coisa com uma bola e transformou em algo digital. Quem costuma ver muito futebol, já deve ter visto propagandas de materiais esportivos, refrigerantes e etc, onde mostra os jogadores com roupas mais "casuais", jogando paredão, ou um futebol de rua, mais bonito vistoso, despreocupado. Esse jogo pega essa premissa e combina com a profissionalização do Futebol de rua, principalmente com as modalidades de Freestyle e Futsal. Mas vamos conhecer mais a fundo essas novas características da remodelada franquia FIFA Street.
- Malabarismo, Futebol-Arte ou Trabalho de Equipe?
A jogabilidade não foi reformulada. Ela foi reconstruída do zero. Uma das maiores reclamações dos jogadores do FIFA Street antigo era que as jogadas eram extremamente artificiais e a atmosfera era de um jogo arcade, quase como um jogo de luta com golpes especiais. A falta também de opções era um dos maiores defeitos da série, que logo caiu no esquecimento dos jogadores.
A EA Sports acertou a mão colocando a mesma dinâmica e motor físico do FIFA 12, incluindo o sistema de impacto, corrida e drible. Com isso os jogadores produzem jogadas muito próximas da realidade, mas ainda sim sem o comprometimento de ser um jogo sério, de pegada, faltas etc. Tanto que não há carrinhos nem lesões.
Os dribles são sensacionais. É possível deixar um defensor no chão de vergonha com certos dribles. Carretilhas, debaixo-das-pernas (o drible mais espetacular), chapeuzinho, elástico, chapeuzinho com elástico, fintas, provocações... o repertório é quase infinito. É até quase impossível decorar os comandos para os dribles, que não chegam a ser difíceis, mas são muitos. Um dos mais impressionantes é quando o jogador pisa na bola com os dois pés, joga a bola pra trás, segura com a ponta do pé e termina emendando um chapéu desconcertante... pra delírio da galera.
Ainda sim, os jogadores mais acostumados a apertar o botão de corrida e partir pra cima, vão encontrar MUITA dificuldade para se dar bem aqui. O importante não é fazer gol. É COMO você faz o gol. Exatamente da forma que é o futebol de rua hoje.
O trabalho em equipe também é compensado. Passes, tabelas, obstruções, pivôs... tudo isso vale para que as jogadas culminem em gol. Mas a individualidade é sempre mais recompensadora... e letal.
- Pelada de Sábado à tarde disfarçada de Torneio mundial.
O primeiro modo de jogo, Hit the Streets, é o modo casual. É possível escolher entre modalidades com regras prontas, ou criar um modo de jogo próprio com seu conjunto de regras. É possível escolher entre diversos times europeus e da Major League Soccer dos EUA. A ausência de times brazucas, africanos, asiáticos e argentinos é triste, mas compensada pelo fato de que você pode jogar com as seleções dos países também. Vale lembrar que não são muitos jogadores que estão presentes, tanto nos times quanto nas seleções... mas isso se deve ao estilo do game, muito mais de diversão. Vale lembrar que Futsal é uma das modalidades do jogo, com todas as regras (ou quase, ainda não vi cartão amarelo, mas não tem nem juiz! As faltas são no grito, literalmente - os próprios jogadores, torcida ou alguém fala algo como: "SAIU, SAIU!!!" ou então "FALTA! FALTA!")
O modo principal é o World Tour. Nele você cria um jogador que irá começar sua carreira como capitão de uma equipe peladeira. Não estou brincando. É literalmente isso. Após uma partida de treino (casados contra solteiros?) entre o time de camisa branca e o de camisa preta, você tem a opção de criar um novo time, podendo escolher os jogadores que jogaram a pelada contigo, ou criando novos jogadores, por exemplo, seus amigos de infância. As opções de customização são várias. Mesmo com os itens bloqueados, é possível criar jogadores muito característicos. Infelizmente cabe uma crítica. É pelada, mesmo que disfarçada de um modo de torneio. Então, por que não colocar a opção de criar mulheres? A EA pisa na bola até hoje nesse aspecto, mesmo com nomes como Mia Hamm, Marta, Morgan e Hope Solo, despontando como jogadoras sensacionais, no nivel de qualquer macho que se preze. Tirando essa crítica, o modo World Tour é muito divertido e vai lhe custar várias horas de jogo quebrando a cabeça para ganhar alguns torneios, principalmente na dificuldade GOLD. É interessante notar o horário das partidas. Costuma o seu time disputar uma partida às 19:00, outras às 19:30 e outra às 20:00, no mesmo dia. Isso só reforça a idéia de pelada de fim de semana... o que é muito interessante.
O modo Online é, como já de costume da série FIFA, um capítulo à parte. Possui ranking, divisões, torneios, troca de times de pelada, visualização de Replays e uma comunidade que sempre está crescendo. Ainda não foram reportados problemas maiores com conexões, até porque se trata de um jogo bem leve nesse aspecto.
- EA e sua "Inteligência" Artificial
A maior crítica (não só minha, por sinal) que é feita ao FIFA Street é a mesma crítica feita a todos os jogos da EA Sports. A Inteligência Artificial adaptativa. Há basicamente 3 níveis de dificuldade no jogo: BRONZE, SILVER e GOLD. BRONZE você joga contra cones. É possível marcar facilmente placares como 10 a 1, 12 a 0 em um golzinho de praia (aquele que é praticamente do tamanho da bola de tão pequeno). SILVER oferece desafios maiores, mas não é nada que não se supere com 1 ou 2 partidas de costume. Agora GOLD...
A Dificuldade GOLD é estupidamente difícil. Seu goleiro falha com tal facilidade que é possível ver coisas bizarras como não cair em uma bola que passa do lado, rasteira, devagar, que daria até para pegar com o pé. Seus passes precisam ter uma mira aguçada, ou o adversário irá pegar. Há um momento certo para driblar, e mesmo assim ainda precisa de um pouco de sorte, e o principal: os jogadores adversários teletransportam. Claro, exagerando, pois não é nada muito absurdo, mas é como se você estivesse jogando contra seres muito rápidos, e não importa o que você faça, sempre fica a sensação de que o CPU está roubando de alguma forma. Ainda não é o nível mais difícil de FIFA 12, mas chega perto. Jogue Futsal para ver que o goleiro adversário representa o que é um goleiro "barreira".
- Audio, Video e os detalhes
A trilha sonora é arrasadora. Mesmo não tendo nenhuma música muito conhecida do nosso público, e também a falta do EA Trax (presente no FIFA 12) onde você pode colocar as suas próprias músicas pra tocar, entendo que isso se deve à mixagem que o "DJ" faz enquanto o jogo rola. Se a bola está parada, ou se o jogador está preparando um drible, o som abaixa, deixando um clima de tensão, de duelo. Quando sai um gol, a música aumenta, insere-se o vocal e outros instrumentos. A torcida é um objeto à parte. Ela participa ativamente do jogo, vibrando a cada drible, gol, defesa, roubada de bola. Mas o melhor são as vocalizações dos jogadores. É possível, no momento da criação, escolher o "sotaque", ou a origem da fala dos jogadores, em Português, por exemplo, você consegue ouvir por vários momentos um "AÊ CARAMBA!!" ou quando sai um gol "PÓ PÓ PÓ!!! FRAAAAAAAAAAANGOOOO!", mas a maioria das outras falas ainda é em Inglês, não importando a localização, o que é meio repetitivo. Mas é interessante ver que muitos jogadores são "inteligentes", ao se desmarcarem gritam "HERE HERE!! TO THE LEFT!!" ou então, "DEFENSE!!! DEFENSE!!! C'MON!!" em situações de perigo.
Os gráficos não são aquilo tudo, mas são agradáveis. As paisagens são lindas. Os detalhes nesse caso se devem às "Venues", ou onde o show acontece. Garagem, estacionamento, praça pública, quadras de hockey degeladas, quadras de basquete... qualquer lugar alguem monta um golzinho e sai chutando a bola, como em qualquer peladinha. Destaque para Toquio e Rio de Janeiro... reproduções fidelizadas das cidades e de suas principais características.
- Conclusão:
FIFA Street é um jogo casual de diversão pura. Não deve ser levado a sério como um FIFA 12 ou um PES 12, mas também não é mais Arcade como antigamente. É uma homenagem ao futebol arte, às peladas, aos grandes dribles, jogadas e brincadeiras de criança. Rende diversas horas de jogo, com toda certeza, mas a crítica ainda fica por conta da exclusão das mulheres e a IA esquisita da EA Sports, que costuma estragar a diversão de muita gente.
Nota Final: 8,5
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